Boi Bumbá e Bumba meu boi

May 29, 2018

Você sabe quais são as principais semelhanças e as principais diferenças entre o Boi Bumbá da Amazônia e o Bumba meu boi do Maranhão?

 

Bom, a festa teoricamente é a mesma:

  1. Tanto o bumba-meu-boi como o Boi Bumbá são celebrações juninas, especialmente em homenagem a São João.

  2. Ambas têm como enredo uma história que se passa no período colonial brasileiro - período de escravidão e de criação extensiva de gado, quando um escravo matou o boi de seu senhor para satisfazer o desejo da esposa grávida de comer língua de boi.

  3. Ambas são derivadas de um antigo costume pagão de sacrificar um animal (nesse caso um boi imaginário) no dia do solstício de verão, que, no hemisfério norte, coincide com o dia de São João.

Na prática, as duas festas são bastante diferentes em praticamente tudo: a forma de dançar, a indumentária usada pelos brincantes, os instrumentos que compõe a sonoridade do evento, os tipos de canções entoadas e até a relação das pessoas com seus grupos preferidos.

 

Pra falar a verdade, essa homogeneidade não existe nem sequer quando falamos exclusivamente do bumba meu boi do Maranhão!  Somente na cidade de São Luís (MA) existem mais de cem grupos de boi e eles são tão diferentes entre si que os maranhenses até criaram algumas sub-divisões: são os chamados sotaques.

 

Cada sotaque é caracterizado por uma forma própria de se expressar através das vestimentas, da coreografia, dos instrumentos escolhidos e da cadência da música.

 

Se em São Luiz existem tantos grupos e tantas formas diferentes de brincar, em Parintins, são apenas 2 os bois relevantes: Garantido (o boi branco com um coração vermelho na testa) e Caprichoso (o boi preto, com uma estrela azul na testa) e todos os moradores do município se dividem como torcedores de uma dessas duas equipes rivais.

 

A brincadeira da Amazônia teve origem com a chegada dos nordestinos na região e, consequentemente, pode-se dizer que o Boi Bumbá é um herdeiro do Bumba meu boi, mas, atualmente, guarda muito pouca semelhança com a brincadeira que lhe deu origem.

 

Enquanto no Maranhão a festa é de rua e é bastante comum que os bois cruzem harmoniosamente os caminhos uns dos outros, em Parintins as apresentações acontecem no Bumbódromo, uma arena especialmente construída para essa finalidade, o que ajuda a evitar as constantes brigas entre as torcidas rivais que existiam no passado quando a festa também era de rua.

 

A música do boi de Parintins também desenvolveu características próprias e, por incrível que pareça, não se assemelha à música de nenhum dos 5 sotaques maranhenses e nem usa os típicos tambores de couro de cabra e as matracas que são tão comuns na festa do Nordeste. As toadas, como são chamadas as canções da ilha da Amazônia, são acompanhadas por tambores de lata com pele sintética e instrumentos de cordas, que ajudam na harmonia.

 

Os grupos em Parintins são imensos, cada um dos dois têm cerca de 4.000 integrantes. A indumentária riquíssima, e até um tanto exagerada, incorporou muitas das características da floresta amazônica, com muitas cores, muitas texturas, muita abundância, mas perdeu os maravilhosos bordados e os impressionantes chapéus da festa do Maranhão que, provavelmente só são possíveis de serem confeccionados em uma escala pequena como a que os grupos do Maranhão têm, dada a complexidade dos bordados e o número de horas de trabalho envolvidos na criação de uma simples gola.

 

Enfim: são duas festas que compartilham as suas origens, que representam uma mesma lenda, mas que, fora isso, não têm mais absolutamente nada em comum a não ser o fato de serem ambas igualmente incríveis de presenciar!

 

 

 

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