Ensaio "Os Krahôs"

 

Na cosmogonia Krahô, o Katam'jê representa o poente, a vegetação verde, os animais noturnos, o frio e o úmido. O Wakme'jê representa a estação seca, o verão, o nascente, a vegetação seca, os animais diurnos e o calor.

A forma de se harmonizar com os grandes mistérios da vida sob o céu é buscar o equilíbrio entre essas forças opostas.

A Festa da Batata (ou "jot-yon-pin") é um marco importante nesse processo: ela celebra a alternância entre as duas estações (seca e chuvosa) e entre os dois partidos (Katam'jê e Wakme'jê) no poder, fatos fundamentais para a manutenção do equilíbrio do universo.

Essa é a base da vida e da estabilidade na comunidade.

A festa dura cerca de uma semana e, nesse período, acontecem vários rituais de união, de culto e de descontração.

À noite, no pátio central da aldeia, um tocador de maracá rege as cantigas de Hõkrepôj, que são cantadas por um coro de mulheres e celebram a Natureza.

Durante o dia, prepara-se o Paparuto, ou KUŸR-KUPU - que é um grande bolo feito de mandioca ou milho com carne ou peixe sobre ele e assado enrolado sobre folhas de bananeiras.

Membros de várias famílias se unem para fazer o paparuto: ralam a mandioca, montam a massa sobre folhas de bananeira e criam enormes fogueiras onde, durante a noite, será cozida a massa que se transformará em uma refeição coletiva na manhã seguinte. Um ritual que fortalece o conceito da união.

Os ciclos naturais, as forças misteriosas que dão o ritmo à vida sobre a Terra, toda a magia e a grandeza do universo integram os Krahôs com o ambiente onde vivem e onde celebram a vida.

Ensaio "Retratos Krahôs"

 

Ser índio

O rosto sério, mas não bravo, a concentração nas atividades do momento, viver o presente.

  

São Paulo - Brasil