Ensaio "Ritual Toré dos índios Pankararus"

 

De repente, do meio da trilha árida da caatinga, surgem umas figuras excêntricas: pessoas completamente cobertas por uma roupa e uma máscara de fibras de Ouricuri. São os Praiás, dos índios Pankararus, que vieram prestar a sua homenagem ao Padre Cícero.

Eles vêm de Tacaratu, uma pequena cidade no interior de Pernambuco, nas margens do rio São Francisco. Assim como boa parte da população nordestina que vive na caatinga, têm uma relação muito forte com o padre.

Os Praiás são os zeladores dos Encantados, indivíduos vivos que desapareceram misteriosamente e foram morar no invisível. É por meio dos Praiás que os Encantados saem lá do invisível e vêm à terra, para dançar, dar conselhos, curar doenças, jogar conversa fora e matar as saudades do povo que continua por aqui. São eles que levam os Encantados da cidade de Juazeiro do Norte até a colina do Horto, para visitar a estátua do Padre Cícero, o seu museu e fazer o caminho do Santo Sepulcro.

Fazem a trilha do Santo Sepulcro, como todos os outros romeiros, mas de uma maneira diferente: fumam seus cachimbos e, em cada capela onde entram, cantam e dançam. Alguns estão em transe.

Caminham sob o sol escaldante do meio do dia sem nunca mostrar sua identidade. Misturam-se com a terra e com o cenário. Trazem ainda mais magia para esse lugar já tão místico e encantam a todos que cruzam com eles durante a festa.

São Paulo - Brasil