Fogaréu

 

O centro histórico do município de Goiás está completamente escuro. O silêncio é total e as 20.000 pessoas que lotam este espaço estão completamente imóveis.

Pontualmente à 00:00 da Quarta feira Santa (também conhecida como Quarta-feira de Trevas) chegam os músicos. Eles ainda não estão tocando nada, mas a multidão começa a ficar mais agitada com a simples presença deles.

 

Tochas começam a ser distribuídas para a população. Uma luz bruxuleante, alaranjada, muito concentrada. Um forte cheiro de querosene no ar.

 

A música começa e os farricocos aparecem, com sua indumentária assustadora, tochas acesas, atropelando a multidão! Eles têm a clara missão de encontrar e prender um homem.

 

Descalços, com passos acelerados, seguindo o ritmo dos tambores e dos corações que batem rápido com a adrenalina provocada pelo medo, avançam de forma decidida, empurrando a multidão para os cantos das ruas.

O clima é de tensão! Um forte ímpeto de fuga toma conta da cidade: Jesus fugindo da guarda romana antes de sua prisão e crucificação, cada um dos cristãos ali presentes, 2 milênios depois, fugindo de seus próprios pecados, de seus próprios erros, de sua própria vida sem sentido.

 

A procissão para algumas vezes, em frente a uma e outra igreja. A música vai ficando cada vez mais rápida, os passos vão ficando cada vez mais rápidos, o medo e a urgência, cada vez mais fortes. O calor é indescritível! O inferno não poderia ser vivenciado de outra maneira!

 

O sofrimento de Cristo, em seus últimos momentos, revivido por cada um dos fiéis ali presentes.

Procissão do Fogaréu
Procissão do Fogaréu
Procissão do Fogaréu
Procissão do Fogaréu
Procissão do Fogaréu
Procissão do Fogaréu