Ensaio "Oxente"

 

2ª quinta feira do ano e o clima já é de Carnaval.

São 9 horas da manhã. O dia está nublado. Ainda assim, o calor é intenso e promete um dia de grande diversão e devoção.

Colares, pulseiras, contas, amuletos, fitinhas, flores. O perfume intenso da água de cheiro que as baianas aspergem sobre os fiéis.

Uma multidão animada.

Muita felicidade no ar.

O povo que caminhou concentrado, se espalha ao chegar à praça da Basílica que é pequena demais para acomodar tanta gente.

Comidas de rua, tiro ao alvo, cantorias, rezas, abraços, muita cerveja. O bairro inteiro respira a alegria da festa do Senhor do Bonfim.

Logo logo chegará o Carnaval.

Ensaio "Lavagem do Nosso Senhor do Bonfim"

 

1 milhão de pessoas reunidas em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Baianas ricamente adornadas. Muitas.

Uma multidão. Quase todos vestidos de branco. Todos preparados para a caminhada de cerca de 7 km que farão até a Basílica do Senhor do Bonfim.

Não é feriado em Salvador, mas é comum que as pessoas tirem o dia de folga. Por isso é possível ter tanta gente reunida para esse evento que é um misto de reverência ao Senhor do Bonfim e inauguração dos festejos de Carnaval.

A festa, na verdade, reproduz e rememora a jornada de Oxalá ao reino de Oyó e o longo trajeto percorrido pelas ruas da cidade traz alguns desafios similares aos que Oxalá viveu em sua saga (clique aqui para ler a lenda).

No sincretismo religioso brasileiro, Oxalá e o Senhor do Bonfim são a mesma pessoa. Celebrar um é honrar o outro.

As avenidas que beiram o mar parecem estreitas, a multidão preenche cada espaço disponível. O grupo leva cerca de 4 horas para terminar a caminhada. Andam devagar para manter o grupo unido, pra manter a festa animada. Uma grande massa humana. Jesus vai à frente, abrindo o caminho.

Ouvem-se vários tipos de reza e várias canções profanas. Veem-se pessoas concentradas no ato de devoção, assim como outras que estão ali mais pela celebração com os amigos.

A chegada à Basílica é marcada pela lavagem das escadarias da Igreja e com as bênçãos e os banhos dados por pais e mães de santo em todas as pessoas que assim o desejarem.

O contato físico entre as pessoas e delas com as coisas que representam o Santo, o Orixá e a fé de maneira geral (como as fitinhas coloridas que todo mundo quer amarrar no gradil da Igreja) são parte importante dos atos de devoção.

O sincretismo religioso brasileiro está presente aqui de forma mais do que evidente: uma linda comunhão de crenças, uma festa de respeito a várias formas de reverência.

São Paulo - Brasil