• Andrea Goldschmidt

Por que temos uma padroeira negra num país racista e machista?


Hoje é o dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Feriado. Dia de ir a Aparecida do Norte prestar uma homenagem à santa, ou de viajar para descansar a cabeça...

Eu optei pela segunda opção quase a minha vida inteira... Estive uma única vez em Aparecida... e foi justamente em um dia 12 de outubro!

Nunca tinha parado para pensar no que significa ter esta santa como padroeira (uma mulher negra) num país racista e machista, até que li recentemente um texto de uma amiga que falava sobre isso.

A reflexão dela era sobre a incoerência do racismo ser proferido pelas mesmas pessoas que têm tanta fé e que demonstram tanta devoção por essa santa: ao mesmo tempo que pedimos graças à Nossa Senhora Aparecida, que rezamos para que ela interceda por nós, que acreditamos cegamente em seu poder, toleramos que tantas outras pessoas negras sejam tratadas de forma racista, fechamos os olhos para fatos simples como eles terem salários mais baixos, serem mais parados pela polícia em batidas de rotina, sofrerem mais as consequências da violência urbana...

Curioso também que nesses 300 anos de sua história (a santa foi encontrada no Rio Paraíba do Sul em 1717) a situação dos negros no Brasil tenha sido tão pouco discutida, que tão pouco tenha sido feito para dar oportunidades iguais a todos os brasileiros.

A indignação da autora do texto, num determinado momento, foi manifestada com a pergunta “Como uma nação tão devota de uma “Mãe negra”, pode ser tão racista?”

Verdade!

Eu inclui nessa reflexão a questão de gênero... como podemos ser tão devotos de uma santa e ainda sermos um país com tantas questões a serem discutidas e melhoradas no que diz respeito aos direitos das mulheres? Também nesse caso o que vemos são salários menores e enormes problemas de violência, inclusive doméstica.

Nunca tinha parado para pensar sobre o que representa para nós, como nação, ter uma padroeira negra! Será que não significa nada?

Imagino que muita gente nunca tenha parado para pensar nisso!

Fiquei triste ao pensar nas incoerências da vida... mas tenho sempre esperança de que as pessoas parem para pensar sobre isso e encontrem maneiras de minimizar os efeitos desses dois grandes problemas que temos.

Torço para que mais gente, assim como eu fiz ao ler o texto da iluminada Joelma, reflita sobre o que significa pra nós termos essa mãe negra como padroeira do Brasil.

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São Paulo - Brasil