• Andrea Goldschmidt

A mesma celebração. Duas festas completamente diferentes.


No ano passado conheci a Folia de Reis de Santo Antônio da Alegria, no interior de São Paulo. Este ano, estive na mesma festa em Salvador, na Bahia.

É até difícil pensar que é a mesma festa, porque são duas formas de celebrar completamente diferentes. Em cada local, foram perfeitamente incorporadas as principais características locais. Os mesmos personagens históricos são homenageados, mas a forma como acontece essa homenagem fala muito da região e dos costumes locais.

Em Salvador, na Igreja da Lapinha, a cerimônia não poderia ser mais multicultural: a igreja tem uma arquitetura mourisca, a cerimônia é católica, mas frequentada por pessoas fantasiadas e com música ao vivo que lembra os batuques africanos.

Depois da missa, vários Ternos de Reis desfilam pelas ruas. São grupos pequenos, de umas 40 pessoas cada, sempre acompanhados de uma banda que toca marchinhas (que parecem de Carnaval, mas têm uma temática ligada ao Natal e à visita dos Santos Reis ao menino Jesus).

Em Santo Antônio da Alegria, a festa é intimista, os grupos de Reis vão peregrinando de casa em casa, chegam tocando viola e cantando músicas caipiras (que também têm uma temática ligada ao Natal e à visita dos Santos Reis ao menino Jesus), visitam os presépios montados nas casas das pessoas. São convidados a comer comidas típicas feitas com carinho pela dona da casa e vão-se embora para a próxima visita.

No interior de SP, a festa é caipira: viola, cantoria, galinhada e visitas aos vizinhos. Em Salvador, a festa é afro: batuque, roupas multicoloridas, dança de rua e muito axé. Os Santos Reis são os mesmos. A devoção é a mesma, mas são festas completamente diferentes! São festas incrivelmente adaptadas à realidade e à cultura de cada local!

E num país desse tamanhão, não podia ser diferente, não é?

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