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As misteriosas procissões dos Penitentes

14 de abr. de 2016
2 min de leitura

Atualizado: 22 de abr. de 2021


Durante as celebrações da Semana Santa, muitos grupos de penitentes se reúnem pelo Brasil afora. A tradição vem, provavelmente, de uma procissão chamada de Endoenças que acontecia em Portugal, na Quinta-feira Santa, desde a Idade Média, com homens e mulheres se autoflagelando com cordas e objetos de ferro, confessando seus pecados em voz alta, mas que, por causa de abusos praticados, foi abolida pelo Papa Clemente VI no século XIV.

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Atualmente no Brasil estas peregrinações acontecem na noite da Sexta-feira Santa (começando à zero hora do Sábado, na verdade) e o percurso realizado geralmente visita vários templos do município e termina no cemitério. Em cada igreja visitada é feita uma pausa para adoração, os penitentes e as pessoas que acompanham o grupo rezam, sempre em profundo recolhimento.

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No município de Goiás, GO, os penitentes cantam uma ladainha bem solene. Os versos variam ao longo do percurso, com um dos penitentes puxando o coro com frases como:

Senhor Deus, misericórdia;

Pelas almas dos irmãos que morreram amargurados, misericórdia;

Pelas almas dos irmãos que não tiveram perdão, misericórdia;

Pelas almas dos irmãos que cometeram suicídio, misericórdia;

Senhor Deus, misericórdia.

Pelo momento em que esta procissão acontece, ela parece retratar, de algum modo, o percurso de Cristo até ao Calvário e, talvez por isso, ela inspira nas pessoas sentimentos de profundo respeito e reflexão.

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A procissão passa pelo centro histórico de Goiás, com sua linda arquitetura (que foi mantida intacta nesta parte da cidade), o que a faz parecer uma volta ao passado, quase como se a gente estivesse vivendo uma noite que aconteceu há 100 ou 150 anos...

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A atmosfera mágica que esta procissão gera é difícil de explicar: a cantoria dos penitentes faz a gente se sentir parte do grupo que pede misericórdia a Deus e o fato de que, no final do percurso, os penitentes entram no cemitério e “somem” (na verdade eles tiram suas túnicas e saem, sem que a gente se dê conta, como pessoas “normais”), deixa uma sensação de que eles também eram almas, que foram encaminhadas ao céu depois daquela reza... e que deixaram de estar entre nós com o término da procissão.

  • Procissão dos Penitentes
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